11 maio, 2011

De vez em quando acontece.

Mario Bortolloto - dramaturgo, ator, diretor de teatro, londrinense radicado em São Paulo, vencedor do prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo conjunto de sua obra, e do Prêmio Shell em 2.001, pela peça “Nossa Vida Não Vale Um Chevrolet” e outras coisas que dizem que a pessoa é importante - escreveu certa vez como conheceu o La Carne, banda que toca no primeiro Esteticozoofrenia, a festa que o Rasgada vai realizar todo mês lá no Asteroid e nesse acontece no dia 26.

Segue:

"Cê tá quase mandando tudo a merda e acontece um troço desse.
Tava assim, já achando Carlos Lyra o máximo, prestando mais atenção no João Gilberto, revirando prateleira de sebo pra achar algum raro do Marcos Vale quando acontece de você ouvir uma encrenca dessa.

Várias vezes já quis mandar o rock and roll pra casa du caralho. O que tem acalmado meu instinto mais violento foram audições ininterruptas de um bom Jonh Spencer, de um saudável Morphine ou ainda de um velho e irrepreensível The Troggs. É aquela lenga lenga, né meu chapa? Não dá pra virar a madruga bebum num computador ouvindo rockzinho afetado de teenstar de Mtevê, ou esses bananão do Metálica brigando com Napster ou qualquer desses boiola véio de calcinha colante. É foda.

Aí que seja bem vindo o Grande Ataulfo Alves, xará.
Rock é foda, mas tá difícil. Mas aí folheando a Bizz naquela seção de demos, uma matéria me chamou a atenção. Era uma banda de Osasco com uns carinhas esquisitos. A Bizz teve o bom senso de publicar um trecho da letra e era du caralho. O cara escrevia de um jeito largado e extremamente coloquial ... “Os cara pegaros taco de bilhar e fora pra cima dos home ontianoite
(cê já tava dormindo) e o tranquera que passava baixou as calça e ficou rachando o bico da situação...”.

Porra, era bom pra caramba. Aí eu fui lá no site dus cara e as referencia da rapaziada era de criar a mó expectativa (Nick Cave, Screaming Trees, Iggy Pop, Faith no More, PJ Harvey, Dylan, Jimi), e pra fuder ainda mais o puto do vocalista e letrista gostava do Bukowski. Eu tinha que comprar. Mandei o e-mail, depositei dez pila na conta de um dos famigerados e em menos de uma semana depois o Cdzinho aterrisou na portaria do meu prédio. Exasperado, fui ouvir o negócio e não é que era du caralho mesmo? Além da genial “Jukebox” (a da letra aí de cima), o CD ainda tinha um monte de música fuderosa. No meu top ten por uma semana, se postou imbatível “De Uma Lembrança Estranha”.

Bom, eu não vou ficar aqui analisando o trampo dos caras. Já passei dessa fase. Deixa esse trabalhinho sujo prus critico mané que acreditam na sinceridade que tão prestando um serviço inestimável a humanidade. O negócio é que era o melhor trampo musical que eu ouvi no bom 2000, e olha que eu ouço coisa de montão. Sou o mó tarado musical. O resumo da encrenca é que Linari, Jorge, Carlos e Fabio fizeram com que eu voltasse a acreditar nesse velho maníaco que chamam de rock and roll.

Aí depois os caras vieram assistir uma peça minha, a gente se encontrou pra tomar umas brama com minduim e ficou uma brodagem sem vergonha. E eles tiveram a manha de me encomendar essa apresentação. Fiquei honradíssimo e na verdade o que eu queria dizer mesmo depois de todo esse prólogo aparentemente sem sentido é que essa banda que eles resolveram batizar de La Carne (o nome da banda também é legal pra caramba) é única, duns cara autentico pra cacete.

Se alguém tá procurando um som porrada e honesto nesse cirquinho safado que se tornou o rock and roll, vieram ao site certo. Que seja bem vinda, Barbárie.

Mário Bortolotto
Madrugada bebaça com um 38 encostado na oreia.
(ou vocês acreditaram mesmo que toda essa levantada de bola era espontanea?)"